O precedente de corrigir erros com erros

Depois de umas prolongadas férias, estou de regresso à escriba.

E para começar logo em grande. E se os campeões da corrupção não se inibem de falar da arbitragem logo na primeira jornada depois de lhes ter sido perdoado um penalti, porque haveria eu de fazer o mesmo? Vai daí vamos logo começar a época em grande.

O jogo do Benfica contra a “sucursal dos calhaus” parecia uma repetição do jogo da semana anterior entre as equipas B, incluindo o auto-golo de um jogador do Benfica.

Ora, apesar de o JJ achar que a exibição da equipa de arbitragem não foi má, ela na realidade foi péssima, como atesta o CD da Liga. Mas calma lá, se a equipa de arbitragem esteve uma bosta, o CD não esteve melhor, tudo ao abrigo do artigo 258.

Pois se a Lei 12 diz que é motivo de expulsão, quando um jogador:

“impedir a equipa adversária de marcar um golo, ou anular uma clara oportunidade de golo, tocando deliberadamente a bola com a mão (isto não se aplica ao guarda-redes na sua própria área de grande penalidade)”

Ora, o jogador que cortou deliberadamente a bola com a mão, foi o Custódio e não o Douglão (que se fartou de dar lenha, incluindo mais uma cotovelada). Logo, o Douglão não só não deveria ter visto o amarelo naquela situação, como o Custódio deveria ter sido expulso, porque a bola vai na direção da baliza.

Depois de tudo isto, o CD ainda decide anular a decisão do árbitro de dar o segundo amarelo ao Douglão (até aí tudo bem), mas deveria ter agido correctamente e atribuído um vermelho ao Custódio, mas não, atribuíram-lhe o amarelo dado ao Douglão.

Ora, o CD, na sua ânsia de justiça, comete o erro de ignorar as leis que regem o futebol.

Mas isto tudo abre um precedente “grave”, porque então o Benfica tem motivos para exigir a anulação do amarelo dado ao Cardozo, por simulação do Beto (que deveria ter visto amarelo por ter simulado uma falta), assim como de exigir a validação do golo, mal anulado por nova simulação do Beto e respectivo segundo amarelo para este jogador. Se calhar não deve haver artigos para repor as restantes injustiças.

Esperam-se muitas anulações de cartões amarelos, uma vez que a qualidade das nossas equipas de arbitragem está patente desde o primeiro jogo, assim como já se desespera para que as classificações dos árbitros em cada jogo, sejam públicas. Se a comissão de arbitragem não actua, deveria actuar o Governo e exigir que as classificações fossem públicas, uma vez que são do interesse público.

Mas o Governo do Sr. Ministro Gambinos, parece que está mais interessado em obrigar a RTP a comprar os jogos da Sporco TV, ao preço acordado durante o almoço, para darem num canal aberto. Ainda não percebi como é que os programas que mais audiência dão ao canais televisivos, como é o caso do futebol, não despertaram interesse nem da RTP, nem da SIC, nem da TVI. No mínimo estranho…

Está aberta a época!!!

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3 responses to “O precedente de corrigir erros com erros”

  1. João A. says :

    Que o CD actual, talcomo a maioria dos CDs do s últimos anos, é uma trampa, é consensual.
    Mas…
    Nesta matéria não podia o CD ter tomado outra decisão. À luz dos regulamentos, o CD apenas podia substituir o destinário do cartão amarelo, como o fez, e nunca alterar a natureza da penalização, substituindo o cartão amarelo por cartão vermelho.

    • F1 says :

      Exacto e eu sei isso tudo, apenas constato que, os magníficos regulamentos, para emendarem um erro de uma equipa de arbitragem, fazem com que o primeiro erro do árbitro persista, o da não expulsão por vermelho directo. Contudo os mesmo regulamentos não prevêem a protecção dos jogadores que viram cartões amarelos por simulação dos adversários nem atribuem qualquer penalização ao jogador que supostamente induziu o árbitro em erro, simulando nova falta, que o levou a anular um golo limpo ao Benfica.

      Não discuto a decisão do CD, de retirar o cartão, tomara que fizessem isso sempre que for necessário repor a verdade, mas no entanto, o cartão do Cardozo ficou lá, iniciando a contagem que o poderá levar a uma suspensão e o GR simulador não foi penalizado por ter simulado faltas por duas vezes, de forma grave.

  2. Paulo says :

    Caro F1, concordo com a análise feita mas há um pormenor ainda mais interessante aqui. Em que se baseou o CD para esta “correcção”? nas imagens? então agora já é permitido o uso das imagens para alterar decisões da equipa de “apitagem” à posteriori?… Estranho que não vi ninguém usar estas mesmas imagens quando nos “roubaram” o ano passado na Luz com 2 jogadores fora de jogo com o Porto….

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