O limite do razoável

Eu já tinha alertado para a proporção que estava a tomar toda esta recente polémica em relação a alegadas palavras racistas de um jogador perante outro.

São cada vez mais os casos em que os jogadores, ditos de etnia africana (estou a ser racista ao escrever assim?), vêem a público dizer que foram insultados por este ou aquele jogador. Normalmente a ofensa que é divulgada é a de que um jogador branco lhe terá chamado de preto. Sim, porque é essa a palavra que está na raíz de todos os males. O jogador branco, pode chama-lo de cão, filho da puta, boi, azeiteiro, tudo e mais alguma coisa, mas se pelo meio utiliza a palavra preto, está tudo lixado.

Pior que isto tudo, é quando são jogadores que até vêem de culturas onde a palavra preto, negro, black, etc. são utilizadas com muito orgulho por parte dessas pessoas, e é assim que deve ser.

Isto tudo, porque, à custa de mais um caso de alegadas atitudes racistas, o seleccionador Inglês Fabio Cappelo demitiu-se. Não foi o processo em causa que o levou à demissão, mas sim, o facto de a Federação Inglesa decidir retirar a braçadeira de capitão da selecção inglesa ao John Terry, sendo que este ainda não foi condenado por nada. A ânsia da Federação Inglesa em querer dar exemplos de como se lidar com o racismo, faz com que seja esta a primeira a ter atitudes racistas.

Ou seja, no caso do Suarez vs Evra, sem qualquer prova, apenas a palavra de um contra a do outro, acreditou na do sujeito de etnia africana e no caso do John Terry, já o castigou antes de este ser sequer condenado. Como podem ver neste artigo do The Sun, onde a palavra negro é censurada em quase todo o texto. Isto é completamente ridículo. E tudo isto causado por uma pessoa hipócrita, um Evra (como podem ver no vídeo do mesmo artigo).

Eu penso que a FIFA já deveria ter intervido há muito tempo para serenar os ânimos na Federação Inglesa. Eu sou completamente contra o racismo ou outro qualquer forma de falta de respeito para com o semelhante, mas temos de ter limites ou então daqui a nada, temos os estádios repletos de pessoas caladas durante o jogo todo. Todos os jogadores se “picam” (seja com insultos por palavras ou com outro tipo de insultos, como simulações de faltas) dentro de campo e não passa daí. São situações que acabam por fazer parte do jogo, desde que se respeitem mutuamente. Chegamos a um ponto, onde partir um pé, ou dar uma cotovelada é menos grave que utilizar a palavra preto ou negro… mas isto cabe na cabeça de alguém? E se chamarem amarelo a um asiático, também é insulto?

Há momentos e momentos e não vou sequer comparar o que se passou nestes dois casos (e acrescento o do Javi Garcia vs Um azeiteiro) com o que se passou noutras situações, nomeadamente com o Etoo vs público. Nessas situações as atitudes racistas foram públicas, todos estamos conscientes do que se passou e o jogador tomou a atitude de abandonar o campo por se sentir insultado. Em nenhum dos casos anteriormente referidos os “insultados” procederam de forma semelhante.

Mas estou convencido, que se as coisas continuam a levar este caminho, jogadores como o Terry ou o Suarez, vão começar a sentir-se insultados sempre que alguém lhes dirigir um palavrão. Eu faria isso.

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